Evolução histórica
Em 1919 chega a Sacramento José Lúcio de Medeiros, o pioneiro da irrigação e eletrificação rural do Vale. Em 1920 começa a despontar o desenvolvimento de Sacramento, pertencente ao município de Santana do Matos.
A vinda de José Medeiros mudou a vida do pequeno povoado, que se formara ao longo de muitos anos a partir de duas modestas fileiras de casas, (três de tijolo e telha e quatro de taipa) na estrada que ainda hoje liga Macau a Açu.
Essa estrada era inicialmente, a via de escoamento do sal de Macau (transportado em carro de bois), e posteriormente dos demais produtos do Vale do Açu e Pataxó: algodão, cera de carnaúba, gado, queijos, peixes e demais alimentos de subsistência.
José Lúcio de Medeiros logo percebeu que Sacramento reunia todas as condições para se tornar um centro de desenvolvimento de comércio. Em 1922, conseguiu a instalação da Fazenda de Sementes do Ministério da Agricultura, hoje conhecida como Base Física do DNOCS, e atualmente, sede do Centro de Formação Tecnológico – CEFET.
Em 1923, empenhou-se na construção de casas, estimulando cada proprietário a construir uma residência de alvenaria, iniciando, assim, a fundação de nossa cidade.
A posição geográfica do povoado colocava-o no centro de várias rotas que se cruzavam entre as Lagoas de Ponta Grande e do Piató, eqüidistantes do rio Pataxó e Açu. Suas vazantes propiciavam terra boa para trabalhar, o barro nas pequenas lagoas e os “barreiros” (matéria-prima do tijolo e da telha), bem como a criação de animais domésticos e de serviço garantia a carne, o leite, a coalhada e o queijo.
Em 1925, houve um movimento para a instalação de uma feira livre aos domingos, tendo recebido apoio do presidente da Intendência Municipal e Prefeito, o Sr. Manoel de Melo Montenegro.
A pequena feira que reunia produtores, comerciantes e compradores da região, aos domingos, debaixo de uma “latada” coberta de palhas de carnaúba no meio de sua única rua, era um indicador dessa possibilidade e começou a alimentar o sonho de ver o vilarejo crescer e de um dia vir a construir um Mercado Público.
Em 1926, José Lúcio de Medeiros, conseguiu com o então prefeito, no Governo de José Augusto, um contrato para a construção do Mercado Público, no mesmo local do atual, com a concessão de explorá-lo por vinte anos, doando-o depois à Prefeitura.
Esta foi a primeira revolução pacífica e popular em benefício de Ipanguaçu, realizada com recursos próprios de José Lúcio de Medeiros que transformou a Feira de Sacramento, numa das mais concorridas e famosas do Estado. Atraia uma verdadeira multidão de comerciantes, vendedores e compradores de todos os gêneros de mercadorias vindos dos municípios e das cidades vizinhas desde Macau à Mossoró, de Açu a Angicos e Santana do Matos.
Homens, mulheres, crianças, cantadores, repentistas, ciganos, mágicos e bêbados! Impossível acreditar que nas épocas de safra matavam-se e vendiam-se por feira de 20 a 30 bois! Era um sucesso, uma festa popular: cavalos e carroças ocupando todos os espaços, amarrados nas cercas ou debaixo das árvores. Panelas, potes, tachos, alguidares, etc., eram feitos manualmente pelas louceiras locais, verdadeiras artesãs.
Mais tarde, os primeiros “Fordes de Bigodes” e os caminhões “GMC” despertavam imensa curiosidade. Era também, a oportunidade de ter notícias de parentes e amigos, saber das novidades e ouvir o “causos”.
O comércio começou a ser impulsionado com a instalação de uma casa comercial de tecidos por José Lúcio de Medeiros e posteriormente, com a fundação de uma usina de beneficiamento de algodão em caroço, adotando também, a compra de cera de carnaúba.
Em 1927, José Lúcio de Medeiros conseguiu trazer uma Agência dos Correios e um Posto de Telefonia, oferecendo de graça a casa para sua instalação e doando os postes.
Dedicado também, ao meio ruralista, fundou, em 1930 um sítio de fruteiras, o primeiro da região do Baixo – Açu. Com uma visão adiantada dos meios técnicos a serviço da produção agrícola, empregou a energia elétrica na irrigação da terra, captando água do nosso lençol freático, tornando-se assim, o pioneiro da eletrificação e irrigação rural do Vale.
A criação de um oásis verdejante de árvores frutíferas em meio à terra seca, mediante o uso de bombas elétricas, colocou em evidência o nome de José Lúcio de Medeiros e o nome do povoado de Sacramento no mapa do Rio Grande do Norte, porque foi este, sem dúvida, o fato mais relevante a revolucionar e impulsionar a produção agrícola naquela época, setenta anos atrás. Sequer sonhávamos com a grande barragem Armando Ribeiro Gonçalves. A água e o peixe das lagoas e açudes eram privilégios de poucos.
Em 23 de dezembro de 1948, o povoado de Sacramento desmembra-se de Santana do Matos e passa a ser sede do município denominado Ipanguaçu, por ato governamental do Dr. José Augusto Varela, pela Lei Estadual nº146. Dia que terminava a grande luta do Major Manoel de Melo Montenegro emancipando a terra que lhe serviu de berço. No dia 1º de Janeiro de 1949 foi instalado o Município de Ipanguaçu.
Não podermos deixar de reconhecer a JOSÉ LÚCIO DE MEDEIROS na história de nosso município, por seu idealismo, sua visão de progresso e um empreendedor nato, explorando os potenciais da terra e incentivando sua gente.
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