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Sobre Ipanguaçu
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ORIGEM

Seu primeiro nome, SACRAMENTO, provém de uma fazenda de gado de propriedade, na época, do Cel. Antonio da Rocha Pita e que em 1845 foi vendida a Manoel de Melo Montenegro.

Segundo os moradores mais antigos, a origem do nome Sacramento deu-se em conseqüência de um acidente ocorrido na referida fazenda, no atual Bairro Maria Romana.

Certa vez um vaqueiro campeando uma novilha em seu cavalo, caiu acidentalmente por sobre uma estaca que lhe furou o pescoço. Quis Deus que naquele momento passasse um padre vindo da cidade de Macau e que ao deparar com tamanha tragédia, vendo o vaqueiro agonizante, deu-lhe o sacramento da extrema-unção. Aos presentes o padre perguntou o nome daquele lugar, tendo como resposta tratar-se de uma fazenda de gado. Naquele momento, o sacerdote declarou que aquele lugar passaria a se chamar Sacramento.

Esta terra que anos depois com a chegada do Cel. Ovídio Montenegro passou a ser vila, povoado e distrito foi, segundo seus ancestrais, habitada pelos índios das tribos janduís e potiguares.

Seu nome atual – IPANGUAÇU foi escolhido pelo historiador Nestor dos Santos Lima, que atendendo ao pedido do Sr. Manuel de Melo Montenegro deu o nome à nova cidade. “Este, em resposta ao mesmo, disse:” Major, o seu Sacramento é uma grande ilha, que em tupi guarani significa Ipanguaçu. IPAN = ilha + GUAÇU = grande” Este era também o nome de um pajé, chefe das tribos janduís, com muito prestígio junto aos colonizadores, e que colaborou com a fixação dos portugueses nos fins do século XVI

A cidade é cercada por dois rios, o Piranhas ou Açu e Pataxó, que em seu trajeto natural, brindou-nos com esta maravilhosa e hospitaleira ilha.


EVOLUÇÃO HISTÓRICA

Em 1919 chega a Sacramento José Lúcio de Medeiros, o pioneiro da irrigação e eletrificação rural do Vale. Em 1920 começa a despontar o desenvolvimento de Sacramento, pertencente ao município de Santana do Matos.
A vinda de José Medeiros mudou a vida do pequeno povoado, que se formara ao longo de muitos anos a partir de duas modestas fileiras de casas, (três de tijolo e telha e quatro de taipa) na estrada que ainda hoje liga Macau a Açu.
Essa estrada era inicialmente, a via de escoamento do sal de Macau (transportado em carro de bois), e posteriormente dos demais produtos do Vale do Açu e Pataxó: algodão, cera de carnaúba, gado, queijos, peixes e demais alimentos de subsistência.
José Lúcio de Medeiros logo percebeu que Sacramento reunia todas as condições para se tornar um centro de desenvolvimento de comércio. Em 1922, conseguiu a instalação da Fazenda de Sementes do Ministério da Agricultura, hoje conhecida como Base Física do DNOCS, e atualmente, sede do Centro de Formação Tecnológico – CEFET.
Em 1923, empenhou-se na construção de casas, estimulando cada proprietário a construir uma residência de alvenaria, iniciando, assim, a fundação de nossa cidade.
A posição geográfica do povoado colocava-o no centro de várias rotas que se cruzavam entre as Lagoas de Ponta Grande e do Piató, eqüidistantes do rio Pataxó e Açu. Suas vazantes propiciavam terra boa para trabalhar, o barro nas pequenas lagoas e os “barreiros” (matéria-prima do tijolo e da telha), bem como a criação de animais domésticos e de serviço garantia a carne, o leite, a coalhada e o queijo.
Em 1925, houve um movimento para a instalação de uma feira livre aos domingos, tendo recebido apoio do presidente da Intendência Municipal e Prefeito, o Sr. Manoel de Melo Montenegro.
A pequena feira que reunia produtores, comerciantes e compradores da região, aos domingos, debaixo de uma “latada” coberta de palhas de carnaúba no meio de sua única rua, era um indicador dessa possibilidade e começou a alimentar o sonho de ver o vilarejo crescer e de um dia vir a construir um Mercado Público.
Em 1926, José Lúcio de Medeiros, conseguiu com o então prefeito, no Governo de José Augusto, um contrato para a construção do Mercado Público, no mesmo local do atual, com a concessão de explorá-lo por vinte anos, doando-o depois à Prefeitura.
Esta foi a primeira revolução pacífica e popular em benefício de Ipanguaçu, realizada com recursos próprios de José Lúcio de Medeiros que transformou a Feira de Sacramento, numa das mais concorridas e famosas do Estado. Atraia uma verdadeira multidão de comerciantes, vendedores e compradores de todos os gêneros de mercadorias vindos dos municípios e das cidades vizinhas desde Macau à Mossoró, de Açu a Angicos e Santana do Matos.
Homens, mulheres, crianças, cantadores, repentistas, ciganos, mágicos e bêbados! Impossível acreditar que nas épocas de safra matavam-se e vendiam-se por feira de 20 a 30 bois! Era um sucesso, uma festa popular: cavalos e carroças ocupando todos os espaços, amarrados nas cercas ou debaixo das árvores. Panelas, potes, tachos, alguidares, etc., eram feitos manualmente pelas louceiras locais, verdadeiras artesãs.
Mais tarde, os primeiros “Fordes de Bigodes” e os caminhões “GMC” despertavam imensa curiosidade. Era também, a oportunidade de ter notícias de parentes e amigos, saber das novidades e ouvir o “causos”.
O comércio começou a ser impulsionado com a instalação de uma casa comercial de tecidos por José Lúcio de Medeiros e posteriormente, com a fundação de uma usina de beneficiamento de algodão em caroço, adotando também, a compra de cera de carnaúba.
Em 1927, José Lúcio de Medeiros conseguiu trazer uma Agência dos Correios e um Posto de Telefonia, oferecendo de graça a casa para sua instalação e doando os postes.
Dedicado também, ao meio ruralista, fundou, em 1930 um sítio de fruteiras, o primeiro da região do Baixo – Açu. Com uma visão adiantada dos meios técnicos a serviço da produção agrícola, empregou a energia elétrica na irrigação da terra, captando água do nosso lençol freático, tornando-se assim, o pioneiro da eletrificação e irrigação rural do Vale.
A criação de um oásis verdejante de árvores frutíferas em meio à terra seca, mediante o uso de bombas elétricas, colocou em evidência o nome de José Lúcio de Medeiros e o nome do povoado de Sacramento no mapa do Rio Grande do Norte, porque foi este, sem dúvida, o fato mais relevante a revolucionar e impulsionar a produção agrícola naquela época, setenta anos atrás. Sequer sonhávamos com a grande barragem Armando Ribeiro Gonçalves. A água e o peixe das lagoas e açudes eram privilégios de poucos.
Em 23 de dezembro de 1948, o povoado de Sacramento desmembra-se de Santana do Matos e passa a ser sede do município denominado Ipanguaçu, por ato governamental do Dr. José Augusto Varela, pela Lei Estadual nº146. Dia que terminava a grande luta do Major Manoel de Melo Montenegro emancipando a terra que lhe serviu de berço. No dia 1º de Janeiro de 1949 foi instalado o Município de Ipanguaçu.
Não podermos deixar de reconhecer a JOSÉ LÚCIO DE MEDEIROS na história de nosso município, por seu idealismo, sua visão de progresso e um empreendedor nato, explorando os potenciais da terra e incentivando sua gente.

VULTOS DA NOSSA HISTÓRIA

OVÍDIO MONTENEGRO

A tradicional família Montenegro é originária da Espanha, pertence à quarta ramificação de imigrantes que chegaram ao Brasil instalando-se na Ilha de Itamaracá – Pernambuco.

Em 1822, o Imperador designou para ocupar a 2ª Comarca do Assú Estado do Rio Grande do Norte, como primeiro tabelião, Ovídio de Melo Montenegro.

Em 1835, Ovídio de Melo Montenegro, arrendou do Senhor Cristóvão da Rocha Pita a propriedade denominada Itú, uma sesmaria de 6 (seis) por 6 (seis), léguas.

Em 1845 comprou a propriedade e construiu a residência da família Montenegro.

Ovídio Montenegro nasceu na Fazenda Itú a 16 de novembro de 1835.

Em 1893 tornou-se 1º Deputado Constituinte do Rio Grande do Norte. Notável líder político, com prestígio em toda região, residiu na casa grande da Picada. Casou-se com Dona Amélia Caldas. Dessa união nasceram dois filhos. Maria Beatriz de Melo Montenegro e Manoel de Melo Montenegro.

O título de Coronel foi concedido pela Guarda Nacional.

Deputado por várias legislaturas, mas ao romper relações políticas com o Governador Pedro Velho renunciou a seu cargo de Deputado.

Intendente por duas vezes e também prefeito constitucional, do município de Santana dos Matos.

Foi Presidente da Assembléia Legislativa na gestão do Governador Mário Câmara.

Por ser considerado como um homem íntegro e austero tornou-se um dos chefes político mais respeitado no Vale do Açú.

Sua residência era uma verdadeira fortaleza democrática, por onde circulava personalidades expressivas da política estadual e nacional. E se deliciavam em banquetes oferecidos a governadores e políticos que visitavam o Vale do Açú em campanhas políticas democráticas e memoráveis. Uma característica marcante e conhecida de todos era o fato de não haver distinção de classes por parte da família Montenegro. Do mais humilde trabalhador da fazenda a grandes personalidades, todos eram tratados da mesma maneira.

MANOEL DE MELO MONTENEGRO

Nasceu no dia 25 de setembro de 1894 na Fazenda Itú, município de Santana dos Matos.

Por uma fatalidade do destino ficou órfão aos sete anos de idade, teve três tutores, mas ficou aos cuidados da avó materna Dona Marola Caldas.

Aos 23 de setembro de 1913, casou-se com a Maria Cândida Borges, uma mossoroense e com ela teve os 10 filhos: Maria Consuelo (faleceu ainda criança, José e Antonio faleceram jovens), Nelson Montenegro, Ovídio Montenegro, Edgard Montenegro, Manoel Montenegro Junior, João Batista Montenegro, José Montenegro e Antonio de Pádua Montenegro.

Como era comum naquela época comprou o titulo de major da Guarda Nacional, passando a ser conhecido como Major Montenegro.

Era tão respeitado que sua palavra valia por uma sentença judicial. Foram inúmeros os casos litigiosos que resolveu.

Costumava trocar produtivas correspondências com grandes expoentes da política norte-riograndense e mantinha saudável amizade com: Juvenal Lamartine, João Câmara, Dinarte Diniz e Aluisio Alves.

Pela sua forte liderança política foi um grande articulador para o desmembramento da Vila de Sacramento, hoje Ipanguaçu do Município de Santana dos Matos.

Residindo na Fazenda Itú (Picada), como grande proprietário de terras dedicou-se a agricultura e a pecuária, criando a MASA – Montenegro Agropastoril S. A.

Seu senso de cidadania e civismo levou-o a votar para eleição de prefeito de Ipanguaçu aos 95 anos de idade.

Manoel Montenegro falesceu em 1991 na capital pernambucana aos 97 anos de idade, lúcido e ativo. Profetizou sua própria morte ao declarar. “Vou morrer no dia do meu aniversario”.

JOSÉ LÚCIO DE MEDEIROS

A família Medeiros é oriunda de Portugal, que teve em Rui Gonçalves de Medeiros o seu mais antigo e ilustre antepassado. Foi membro do Conselho Real de Dom Afonso III, 1º Conde de Verlongo. Recebeu seu Brasão de Armas em 1285.

Mesmo antes do descobrimento do Brasil, muitos membros da família Medeiros emigraram para as ilhas portuguesas de Açores e Madeira. Lá se estabeleceram, partindo ao longo de três séculos para a Ásia e América do Sul e do Norte.

Há cerca de 200 anos, parte da família veio para o Brasil. Alguns membros foram para o Rio Grande do Sul e mais tarde outros membros emigraram para a região do Seridó, estabelecendo-se no Rio Grande do Norte e Paraíba.

Filho de João da Mata de Araújo Melo e Enedina C. de Medeiros Neta, nasceu em 15 de abril de 1888 em Vila Nova, atualmente Pedro Velho.Faleceu em 17 de julho de 1953.

Em 1905 José Lúcio Medeiros ou, simplesmente José Medeiros, chegou em nossa cidade em companhia da família vislumbrando dias melhores.Em 1908, munido de coragem e ambição, abdicando da segurança familiar, partiu para a Amazônia em busca de trabalho e fortuna.Aos vinte e sete anos, retornou a Açú, após ter perdido o que havia ganho e também a saúde, vítima de beri-beri, doença neurológica causada pela falta de vitamina “B”, quase paralítico e pobre.

Graças ao clima e a boa alimentação, José Medeiros aos poucos recuperou a saúde. No comércio encontrou uma atividade possível e, assim, em 1915 abriu uma bodega – A Paulistinha- que rapidamente cresceu , transformando-se em ponto de encontro obrigatório da cidade.

Em 15 de abril de1919, José Medeiros casa-se com Maria Francisca Caldas de Medeiros, filha do patriarca de Sacramento, e tiveram dois filhos João Moacir de Medeiros em 1921 e Maria Zaira em 1928.

No mesmo ano, muda-se com a esposa para o pequeno povoado que aqui existia com o nome de Sacramento, passando a residir na casa que depois a família herdaria do seu sogro e que na época era a sede da propriedade agrícola “Veneza de Baixo”. Era o início de suas atividades agrícola e participação na construção de nossa Evolução Histórica

JOÃO GONÇALVES CACHINA

Nasceu em Viana do Castelo em Portugal e aos 12 anos emigrou para o Brasil. Desembarcou no Rio de Janeiro, foi para Recife e algum tempo depois veio morar no Vale do Açu, na Ilha de São Francisco, no município de Macau.

Fixou residência na Fazenda Arapuá, na época município de Santana dos Matos onde, em 1932 construiu sua residência em estilo português, relembrando sua origem. Instalou uma oficina de descaroçamento de algodão, gerando mão-de-obra agrícola. Fabricava também para exportação, matéria-prima para cera de carnaúba.

Casou-se com Maria Madalena da Fonseca Montenegro e tiveram oito filhos. Com o falecimento de sua esposa, contraiu novas núpcias que geraram mais quatro filhos.

Faleceu em Açu em 1981, deixando um legado de trabalho e amor ao país que adotou como seu.

TIBÚRCIO FREIRE DA SILVEIRA

Vindo de Apodi, chegou à Vila de Sacramento em 1930. De imediato, percebeu a necessidade de uma assistência melhor na área da saúde. Procurou estudar prática farmacêutica por correspondência. Em 1938, na epidemia de impaludismo foi um lutador, visitando todas as casas do povoado a cavalo. Implantou um socorro farmacêutico, atendendo a todos sem distinção.


Hino Municipal
Manteremos tal qual no princípio,
Uma idade novel juvenil.
Consagrou-nos, a Lei município
Integrante do amado Brasil

ESTRIBILHO

São municípios e cidades
Vizinhos da intensa luz
Que emana da claridade
Junto ao Natal de Jesus
Sua várzea de extensa planura
Ubertosa na quadra estival,
Se reveste com a linda urdidura
De um lençol do viçoso algodoal.
Carnaubal majestoso drapeja,
Com seus leques de palmas preciosas
Um convite a incessante peleja
Nas cearas, gentis dadivosas
A natura, com seus amavios
Que sugerem fulgor, maravilha
Neste abraço febril de dois rios
Nos brindou, com a afeição de uma ilha.
Quando em outra comuna integrados,
O destino, em conduta pressaga,
Registrou, entre os nossos legados,
A bravura do herói Luiz Gonzaga.

Letra: Dr. Mariano Coelho
Música: Maestro Waldemar de Almeida
Sancionado através da Lei nº18/73 em 19.11.1973 pela Prefeita Municipal Sra. Maria Eugênia Montenegro.